Jesus me deu sua camiseta

Varal • Paul Morris | Flickr • 2012

Varal • Paul Morris | Flickr • 2012

Final da manhã de sábado, Pietro, meu filho de seis anos, e eu vamos buscar sua mãe no salão de beleza. Como é costume, ele ainda está de pijama; afinal, sábado é sábado. Mas já é tarde e o sol está alto. Por isso, ele está em casa apenas com a calça do pijama.

Quando vamos entrar no carro, ele fica com vergonha de sair à rua porque está sem camiseta. Eu o encorajo. Ele sai correndo até entrar no carro, mas logo avisa: “Não quero mais ir porque estou pelado.”. Na cabeça dele, ficar sem camisa na rua é estar pelado. Falo para ele: “Não tem nada.”. Ele responde: “Ah não…”.

Num ímpeto impensado, tiro minha camiseta, estendo meu braço ao banco de trás e lhe dou a peça. E ele, todo animado (parece que os filhos sentem algo mágico por usarem as coisas do pai), trata de colocar a camiseta e um sorriso largo. Nos dirigimos ao salão.

No caminho, ocorreu-me que, às vezes, tenho que descer para avisar minha esposa de que cheguei. Então, entendi porque Pietro não gosta de ficar sem camisa fora de casa – eu também não gosto. Sinto-me pelado, de fato. Ele aprendeu comigo.

Em meio àquele desconforto, algo mais extraordinário ainda me veio à mente: que Jesus me deu sua camiseta. Como assim? Eu era o menino “pelado” no banco de trás do carro. Sem camiseta, eu não me sentia bem; faltava algo em mim. Um misto de vergonha e sensação de que algo estava fora do lugar ocupava minha mente.

Então, Jesus veio ao mundo para que trocássemos de lugar. A vergonha que era minha, ele tomou para si. Ele me deu sua camiseta de justiça e perfeição, e tomou minha nudez de pecado e perdição. Na cruz, ele se desfez de sua camiseta, estendeu sua mão para o banco de trás e me disse: “Vista-se. Eu assumo sua vergonha.”. E eu vesti aquela camiseta.

E ele? O que houve? Bem, ele ficou sem camiseta por minha causa. Não foi algo confortável – mas ele decidiu fazer isso por mim. Ele trocou de lugar comigo.

No entanto, era o nosso sofrimento que ele estava carregando, era a nossa dor que ele estava suportando. E nós pensávamos que era por causa das suas próprias culpas que Deus o estava castigando, que Deus o estava maltratando e ferindo.Isaías 53.4

Diante dele, sou apenas uma criança que sorri porque, agora, está vestida e se sente bem por isso. Uma criança que, na sua inocência, não consegue compreender tudo o que aquele sacrifício realmente significou para mim e para Cristo. É por isso que gosto tanto da afirmação do apóstolo Paulo:

O amor de Cristo nos constrange.II Coríntios 5.14

Porque “constrangimento” é a palavra que considero ser a mais capaz de descrever a sensação que tenho quando penso na morte de Jesus na cruz por mim. Alguém constrangido não sabe como reagir diante de um fato. Porque tem a consciência de que não consegue compreender ou responder à altura alguma coisa. É perder-se procurando uma resposta apropriada a um acontecimento.

É dessa maneira que me sinto quando penso que Cristo morreu na cruz por mim – o que posso fazer? Pois mesmo entregar-me não é suficiente, embora seja exatamente o que ele espera. Minha entrega, ainda que seja total, não chega nem perto de uma possível resposta apropriada diante de seu braço me entregando sua camiseta para acabar com a minha vergonha. Por isso, na impossibilidade de reagir proporcionalmente em relação à sua morte na cruz, restam-me apenas duas coisas: fazer o que ele pediu me entregando a ele e ficar constrangido por causa do seu amor por mim.

Obrigado Jesus pela camiseta. Prometo usá-la mesmo não sendo o meu tamanho – afinal, você é infinitamente maior do que eu. O importante é que, ao olharem para mim, lembrem-se de você. Eu sei que você vai entender o que quero dizer.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *