Nem todo pastor é igual

O bom Pastor • Pieter Brueghel, o Jovem • 1564-1638

O bom Pastor • Pieter Brueghel, o Jovem • 1564-1638

Devo confessar algo a você: às vezes, tenho receio de me identificar como um pastor. Deixe-me explicar meus motivos antes de você tirar suas conclusões precipitadas. Quando eu era criança na igreja, a gente tinha um respeito enorme pelos pastores. Esse sentimento era compartilhado também por grande parte da comunidade, mesmo entre os não-cristãos. Um pastor era visto como uma pessoa madura, íntegra, simples e divertida (pelo menos os meus). Quando eu ouvia a conversa de minha mãe com um de nossos pastores, sabia que ele tinha a bíblia no coração e amor pelas pessoas.

Infelizmente, os tempos parecem outros. Há ótimos pastores e líderes, mas também existem maçãs podres no meio do cesto, feito joio no meio do trigo – e tenho a impressão de que esse tipo estragado está aumentando.

Aos pastores, o apóstolo Pedro escreveu: “Pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados. Olhem por ele, não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer. Não façam isso por ganância, mas com o desejo de servir. Não ajam como dominadores dos que lhes foram confiados, mas como exemplos para o rebanho.” (I Pedro 5.2,3).

É certo que, já naquela época, havia pastores e pastores. Exatamente como hoje. É por isso que, na maioria as vezes, prefiro que as pessoas observem meu procedimento para, depois, saberem que sou um pastor. Isso ajuda a desconstruir a ideia errada de que todos os pastores são iguais na picaretagem.

Para minha tristeza, a realidade me diz que algumas pessoas usurpam de sua posição de pastores e líderes em benefício próprio. João, o apóstolo, descreveu muito bem um desses sujeitos: Diótrefes. Sobre ele, foi escrito:

Escrevi à igreja, mas Diótrefes, que gosta muito de ser o mais importante entre eles, não nos recebe. Portanto, se eu for, chamarei a atenção dele para o que está fazendo com suas palavras maldosas contra nós. Não satisfeito com isso, ele se recusa a receber os irmãos, impede os que desejam recebê-los e os expulsa da igreja. III João 1.9,10

Diótrefes gostava de ser o mais importante

Quando imagino Diótrefes, o vejo entrando imponente na congregação, sorridente e petulante. Ele anda vagarosamente pelos corredores porque acha que todos têm a obrigação de vir falar com ele. “Boa noite, pastor Diótrefes.” – alguns dizem e isso o faz muito contente. Outros irmãos, porém, por questões diversas, não notam seu desfile e o ignoram. Diótrefes se sente ofendido e fala consigo mesmo: “Como passo por essa pessoa e ela não me cumprimenta?”. Diótrefes gosta de ser o mais importante. Ele quer ser o centro.

Em direção totalmente oposta, lembro-me de João Batista. Cristo (sim, o verdadeiro centro) apontou João Batista como o maior profeta até a edificação da Igreja (Mateus 11.11). Mas, ao invés de pedir para si qualquer honra, João Batista redirecionava todo reconhecimento para a pessoa de Jesus (João 3.30). O profeta que preparou o caminho para o Senhor tinha discípulos; porém, não os possuía. Eram todos de Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Sua convicção sobre essa guarda temporária, e não posse definitiva, era tamanha que André, um dos Doze, irmão de Pedro, foi um discípulo de João Batista redirecionado ao nosso Senhor Jesus (João 1.35-42).

E ainda que o exemplo de João Batista fosse insuficiente, há o episódio em que Cristo lavou os pés dos discípulos, inclusive os de Judas, o traidor já conhecido por nosso Senhor (João 13.1-14). Ao se colocar na posição de servo, apesar de ser o Mestre, Cristo não se isentou da responsabilidade de servir, embora fosse o líder daqueles homens. A explicação para seu comportamento é encontrada em suas chocantes declarações, inversoras de nossa lógica social: “O maior entre vocês deverá ser servo” (Mateus 23.11), “pois nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Marcos 10.45).

Cristo, o Deus encarnado (João 1.14), veio para servir às suas próprias criaturas. Você não acha isso estranho? Mas foi isso mesmo que aconteceu. Nas palavras de Paulo, Jesus “esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz!” (Filipenses 2.7,8). Perceba que essas palavras nos apontam um exemplo a ser seguido – o do serviço ao próximo.

Líderes como Diótrefes esquecem-se de que “Jesus é a cabeça do corpo, que é a igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a supremacia” (Colossenses 1.18). Embora tenha atuado como servo, ele é o Cristo. A Igreja não é nada sem ele. Jesus deve ter a supremacia, a prioridade e o primeiro lugar em tudo o que é feito na vida cristã, seja na igreja, seja no âmbito da individualidade. Pois, se minhas ações como cristão não apontam, de alguma maneira, para Cristo e seu senhorio, o que sou?

A vida de um cristão precisa ser uma pequena amostra da graça e verdade presentes em Jesus porque a vontade do Pai é “de fazer convergir em Cristo todas as coisas, celestiais ou terrenas, na dispensação da plenitude dos tempos” (Efésios 1.10). O desejo final do Pai é que todas as coisas, todos os seres vivos e tudo o que faço apontem para Cristo e não para mim mesmo. “Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém.” (Romanos 11.36). Infelizmente, esse não era o desejo de Diótrefes – ele desejava o lugar de Cristo.

Diótrefes não tinha o coração ensinável

Ele se achava o dono da razão. Por isso, não queria ouvir nada que viesse de João, o apóstolo. Uma das características marcantes de líderes desse tipo é que eles não aceitam críticas às suas posições. Pouca importa se suas ações são baseadas na bíblia ou não. Eles agem como aqueles chefes inseguros que controlam até quantos minutos você fica no banheiro. Quando são questionados sobre seus motivos, divagarão sobre muitas coisas, mas terminarão persistindo no erro.

Fiquei pensando sobre a possibilidade remota de que Diótrefes estivesse certo. Afinal, João não era perfeito e nós sabemos disso. Embora tivesse recebido os ensinamentos diretamente do Mestre, João poderia ter se enganado. Entretanto, não há dúvidas de que a questão não era essa. Diótrefes sequer estava aberto a debater alguma questão. Ele se apresentava como o certo e pronto. Quem discordasse dele estava errado, sem chances de diálogo.

Espanta-me essa rigidez porque a bíblia narra um episódio em que Paulo chamou a atenção de Pedro e, provavelmente, também de Barnabé (Gálatas 2.11-15). Então, pensando segundo a lógica de Diótrefes, Pedro poderia se achar um pouco superior a Paulo pelo tempo de convivência com Cristo na terra. Ele poderia até relembrar daquela conversa com Cristo sobre apascentar “as minhas ovelhas” (João 21.15-17) e alegar que estava acima do bem e do mal.

Entretanto, para minha felicidade, não consta em lugar algum que Pedro tenha se negado a ouvir a correção de Paulo. Pelo contrário, tudo indica que Pedro manteve um bom relacionamento com ele, inclusive comentando sobre a profundidade das cartas paulinas (II Pedro 3.15-16).

Uns dos traços marcantes na vida de um líder cristão é sua abertura a perguntas sobre suas motivações e afirmações. Não me recordo de um episódio em que os discípulos de Jesus tenham lhe feito uma pergunta e que ele a tenha ignorado ou saído pela tangente.

Na igreja de Cristo todos estamos nivelados no mesmo patamar: somos servos. Não há espaço para donos, para chefes, para buscar aplausos de homens. Diótrefes era um líder ditador. Ele impunha sua liderança pela força e pela intimidação. Sua vontade era lei. Ninguém podia ocupar o seu espaço. Cada pessoa que chegava na igreja era uma ameaça à sua liderança. Por isso, ele não dava acolhida a João. Os ditadores na igreja são perigosos. Eles julgam e condenam todos aqueles que discordam deles. Eles lutam não pela glória de Deus, mas pela projeção dos seus próprios nomes. Hernandes Dias Lopes

E o que dizer dos bereanos (Atos 17.11)? Se Paulo fosse um líder como Diótrefes, facilmente ficaria ofendido e irritado. Porque os bereanos verificavam as Escrituras para confirmar se o que ele estava dizendo era verdade. Porém, sobre eles, o autor de Atos declara: “Os bereanos eram mais nobres do que os tessalonicenses” (Atos 17.11). É por isso que não importa o título que alguém se deu ou recebeu – ungido do Senhor, apóstolo das últimas horas, profeta das nações, enviado de Deus ou pastor. Você não deve acreditar em tudo o que ouvir. Antes de dar crédito ao que alguém fala, você deve avaliar o que ele diz à luz da bíblia. Isso se aplica até mesmo ao que estou lhe dizendo. Sua regra de fé é a bíblia e seu Senhor é Cristo. Nós somos seres humanos sujeitos a erros.

Sobre esse assunto, há uma história, no mínimo, ensinadora. Um profeta mais jovem foi enviado por Deus para entregar uma mensagem a Jeroboão, rei de Israel (I Reis 13). E ele fez tudo certo, conforme ordenado. Na volta para casa, um profeta antigo veio ao encontro do profeta novo. E lhe disse que “Deus havia mandado o profeta voltar”. Porém, antes de sair de casa, Deus havia instruído o profeta novo a não comer, nem beber nada naquela região. Infelizmente, o profeta novo é enganado pelo profeta antigo. Afinal, o profeta antigo era “profeta” e vinha com “uma palavra de Deus”. Você sabe como essas coisas funcionam, não sabe? Ele é ungido do Senhor. Não é possível que esteja enganado.

Sabe o que ocorreu após a tal “palavra liberada”? Enquanto os dois profetas comiam, Deus se manifestou (dessa vez, de verdade) por meio do profeta idoso (assunto para outro artigo) e declarou que o profeta novo morreria. Como profetizado, na volta para casa, o profeta novo morreu.

Confuso, não é? Eu sei. Mas aprendo uma lição valiosa com esse episódio: não acredite em tudo o que você ouvir apenas porque foi dito em nome de Deus e por alguém que se declara especial. Nós temos uma vantagem sobre aquele profeta novo – a bíblia. E Deus nunca vai falar nada que não tenha embasamento bíblico verdadeiro. Eu digo “verdadeiro” porque também não vale distorcer trechos da bíblia para que eles se ajustem ao que se quer comunicar.  Pois está escrito: “Mas ainda que nós ou um anjo do céu pregue um evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado! Como já dissemos, agora repito: Se alguém lhes anuncia um evangelho diferente daquele que já receberam, que seja amaldiçoado!” (Gálatas 1.8,9).

É por isso que gosto deste versículo: “O propósito é que não sejamos mais como crianças, levados de um lado para outro pelas ondas, nem jogados para cá e para lá por todo vento de doutrina e pela astúcia e esperteza de homens que induzem ao erro. Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo.” (Efésios 4.14,15). A ordem é amadurecer para que eu não seja enganado por outras pessoas com boas ou más intenções. O problema é que muita gente deseja continuar sendo a criança nas mãos dos outros. É mais cômodo. Não precisa ler a bíblia nem orar. Deus tenha misericórdia deles.

Diótrefes falava mal de quem apontava seus erros

Achando-se infalível, a quarta pessoa da Trindade e o ungido do Senhor, Diótrefes não gostava de ter seus erros apontados. Isso podia minar seu prestígio e manchar sua reputação. Ele estava mais preocupado com a aparência do que com a essência. Então, numa reação normal à natureza humana egoísta fora do domínio de Cristo, Diótrefes depreciava quem ousava apontar seus erros. Ele falava mal do apóstolo João.

Não é assim que os advogados fazem quando querem tirar a credibilidade de um depoimento? Eles põem o caráter da testemunha em dúvida. Porque, se os jurados forem convencidos de que ela não é quem diz ser, a pessoa honesta e suas acusações perdem a credibilidade.

Diótrefes fazia a mesma coisa. Ao invés de reconhecer seus erros, ele atacava o apóstolo João. Porque se as pessoas começassem a duvidar do caráter de João, as suas palavras de repreensão perderiam a força.

Os homens que alardeiam autoridade demonstram não a possuir. E os reis que fazem discursos sobre submissão revelam apenas um duplo temor em seus corações: não têm certeza de serem realmente verdadeiros líderes, enviados por Deus. E vivem em pavor mortal de uma rebelião. Gene Edwards

Ao pensar sobre essa questão da depreciação, vejo um tipo de desespero infantil de Diótrefes para manter-se no poder.  É como o caso do rei Saul que, mesmo sabendo de seu pecado, ao ser repreendido, mostrou estar mais interessado em ser honrado na presença do povo, em manter sua posição, do que se consertar com o Senhor. Foi o próprio Saul quem falou: “Pequei. Agora, honra-me perante as autoridades do meu povo e perante Israel; volte comigo, para que eu possa adorar o Senhor seu Deus.” (I Samuel 15.30). Que triste trocar a aprovação de Deus pela honra dos homens. Tais líderes esqueceram-se de que “é preciso obedecer antes a Deus do que aos homens!” (Atos 5.29).

Diótrefes não fazia o que devia e também não deixava os outros fazerem

Diótrefes não recebia os irmãos e tampouco permitia que outras pessoas os recebessem. Saiba que a hospitalidade era algo essencial naquela época de tantas perseguições. Mas, como Cristo não era o centro, Diótrefes não praticava o evangelho ou fazia apenas algumas coisas que ele mesmo julgava serem adequadas. Quando alguém desejava fazer algo a mais ou algo que ele não queria (embora fosse o certo), Diótrefes dava um jeito de parar essas pessoas.

Ele agia assim porque deixar alguém fazer algo a mais ou melhor do que si mesmo poderia fragilizar sua posição de supremacia. Diótrefes podava o crescimento das pessoas dando um jeito de impedi-las de servir como elas poderiam e queriam. As necessidades da igreja estavam gritando e nada era feito. Embora existissem pessoas preparadas para lidar com aquela demanda, elas eram proibidas de exercerem seus dons e habilidades. Sem ter um coração ensinável e desejando ser o mais importante, o que as pessoas poderiam fazer diante dos desmandos de Diótrefes?

Deus deu dons aos homens (Efésios 4.8). Esses dons estão distribuídos no meio da comunidade de filhos de Deus para o serviço ao próximo e para a edificação do corpo, a Igreja (Efésios 4.16; I Coríntios 12.7). Quando os despenseiros desses dons são impedidos de exercê-los, mesmo quando há chamado e competência, e o caráter deles se mantém puro, a igreja local perde, o corpo é prejudicado. É como se você ganhasse um filtro de água, mas ainda bebesse água suja porque foi forçado a guardar o presente. É como uma pessoa que tem olhos, mas os mantém fechados. Ela se locomove com o auxílio de um cão-guia. Faz algum sentido para você? Se Deus lhe deu olhos, por que você não os usaria? Se o Senhor capacitou pessoas para servirem, por que impedi-las de colaborar com o Corpo de Cristo? É algo sem lógica alguma.

Os maus pastores, porém, governam com poder, esquecem-se do rebanho e buscam os próprios interesses. Dietrich Bonhoeffer

Essa situação se parece com a de Saul após a vitória de Davi diante de Golias (I Samuel 18.6-9). O fato de as mulheres terem feito uma música e uma coreografia para Saul e Davi não foi o problema. A questão estava na letra da música: “Saul matou milhares, e Davi, dezenas de milhares” (I Samuel 18.7). Isso acendeu o sinal amarelo na mente insegura de Saul que, por sinal, já sabia que havia sido rejeitado pelo Senhor. Falo sobre a insegurança de Saul porque um rei que se esconde no meio da bagagem (I Samuel 10.22,23) e que cede à pressão dos seus soldados (I Samuel 15.22), no mínimo, tem sérias questões psicológicas a respeito de sua autoimagem com as quais lidar.

E, como Saul, vários líderes, perturbados por suas próprias neuroses e inseguranças, cercam-se de “soldados fiéis” para matar os “Davis” que surgem. O consolo é que o caráter de Davi é forjado pela perseguição de Saul. E, como água que não pode ser contida, aquele que recebeu um dom de Deus encontrará uma maneira de exercer seu chamado, seja ao lado de Saul, seja fugindo dele. Isso nos leva ao próximo ponto.

Diótrefes expulsava da igreja quem o contrariava

Ao considerar que seu mau exemplo era a maneira certa de fazer as coisas, Diótrefes não aceitava ser contrariado. Quando alguém na igreja decidia obedecer a Deus, hospedando outros irmãos, era expulso da congregação. Porque, afinal, o reino não era de Cristo, mas de Diótrefes.

Pastores nunca deveriam estar mais interessados na utilidade das pessoas do que no bem estar delas. Brian Houston

Eu diria que esse é o estágio final e implosivo de um reino humano transvestido de Reino de Deus. As pessoas foram expulsas da “igreja de Diótrefes” por não concordarem com suas práticas antibíblicas. Infelizmente, eu sei (e você também deve saber) de casos bem atuais muito parecidos.

Os bons pastores existem

Infelizmente, não sabemos o que houve após essa carta de III João. A bíblia não traz o desfecho da situação. Será que João foi até lá, reprendeu Diótrefes e a questão foi resolvida? Será que Diótrefes ficou por lá até ter somente pessoas que concordavam com ele? Será que a igreja se dividiu entre aqueles que concordavam e discordavam de Diótrefes?

O certo é que, ao ler a carta de III João, é fácil perceber quem estava certo e quem estava errado. Porém, muitas vezes, em nossas realidades, esses limites nem sempre são tão nítidos. Não temos um apóstolo João julgando a nossa situação.

Mas temos a bíblia. E ela é clara em nos dizer as características próprias dos pastores e líderes segundo a direção do Supremo Pastor. Eles pastoreiam de livre vontade. Não estão presos a salários, presentes ou agrados. Não estão pastoreando porque não deram certo em carreiras seculares ou porque já é tarde demais para buscarem um meio de sobrevivência alternativo. Eles servem, segundo o modelo de Cristo, sem exigir honra alguma para si mesmos, mas apontando para o Supremo Pastor. Eles não agem como dominadores, ditadores e chefes mal educados porque sabem que as ovelhas não são suas, mas do bom Pastor. Esses pastores guiam pelo exemplo no caráter e na conduta (I Pedro 5.2,3).

Esses pastores ensinam a Verdade e não aceitam falseá-la para agradar as pessoas ou obter algum benefício (II Coríntios 2.17). Embora possam ter sabedoria e conhecimento humanos, como graduações diferentes de Teologia, a pregação deles é baseada na demonstração do poder de Deus (I Coríntios 2.1-5), ou seja, no evangelho que “é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê: primeiro do judeu, depois do grego” (Romanos 1.16).

Eles possuem sincero interesse pelo bem-estar das pessoas sob seus cuidados, por isso não as vêm como peões em seus projetos pessoais (Filipenses 2.20,21). Esses pastores entendem que Deus capacitou diversas pessoas para diferentes funções. Eles creem que devem trabalhar em conjunto para que cada um exerça sua função no crescimento do corpo de Cristo (Efésios 4.16). Esses pastores servem ao Senhor com orações e lágrimas para que a mensagem por eles proferida possa conduzir as pessoas ao arrependimento e à fé em Jesus (Atos 20.17-25).

Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. João 10.11

Paulo descreve (I Timóteo 3.2-7) esses pastores segundo a direção do Supremo Pastor como alguém de caráter reto e fiel à sua única esposa. Eles são sóbrios, prudentes, respeitáveis, hospitaleiros e capazes de ensinar. Eles manejam bem a palavra da verdade, ou seja, entendem de bíblia (II Timóteo 2.15). Eles são amáveis porque sabem que devem amar ao próximo (Mateus 22.39). Não são gananciosos, lideram bem suas próprias famílias e têm maturidade na fé. A reputação deles diante dos descrentes é boa, por isso, eles são levados a sério quando falam alguma coisa.

Esses pastores – e apenas esses – devem ser obedecidos quando estão cuidando das necessidades espirituais das pessoas para que o trabalho deles seja motivo de alegria (Hebreus 13.17). Finalmente, eles são merecedores de um salário (I Timóteo 5.17,18).

Para ser sincero, conheço alguns pastores assim – segundo a direção do Supremo Pastor. Oro para que você conheça alguns deles em sua caminhada.

E agora: o que faço?

Voltando aos Diótrefes… Bem, o que posso dizer sobre esses “pastores” e “líderes”? Ore por eles. Nem sempre eles estão cientes do que estão fazendo. Talvez, foram moldados assim por outros Diótrefes e não conhecem outra maneira de pastorear. Talvez saibam exatamente o que estão fazendo e isso é de cortar o coração. Ainda assim, ore por eles. Acredito que qualquer pastor pode ter um pouco de Diótrefes em si – ainda somos humanos. A questão é saber o quanto temos dele e o quanto estamos dispostos a mudar.

E se, infelizmente, chegar ao ponto de você ser expulso da igreja, de forma literal ou apenas sendo impedido de exercer o dom que Deus lhe deu, mesmo tendo o chamado, a competência e o caráter para isso, ore pedindo uma direção de Deus. E se você estiver servindo ao lado de um Diótrefes, ore pedindo uma direção de Deus. Recorra à bíblia e aconselhe-se com crentes maduros que não fazem parte da mesma congregação. Deus tem boa vontade em dar sabedoria a quem lhe pede (Tiago 1.5).

Alguns cristãos foram expulsos por Diótrefes e, me parece, apenas se foram. Eles sabiam a quem serviam e não iam parar porque alguém queria o lugar de Cristo. E se, por acaso, Diótrefes ficou chateado quando “suas ovelhas” foram embora, essa é mais uma prova de que ele havia se esquecido a quem aquelas ovelhas realmente pertenciam.

Deus lhe abençoe.

Agradeço ao pastor Filipe Rodrigues pela leitura preliminar do texto e por suas colocações.

Um comentário sobre “Nem todo pastor é igual

  1. Muito apropriado seu comentário, Angelo! Em tempos como os que vivemos, precisamos evitar a generalização e separar o joio do trigo. Que o Espírito Santo continue a iluminá-lo com textos que respondem aos nossos mais íntimos questionamentos.

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